HELDER FIRMINO - REFLEXÕES

February 7, 2007

Reflexão de Vida

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou e cambaleou, deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso portal. Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas, todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes: - Enfermeiro, eu preciso voltar urgentemente para o meu escritório porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque o meu convénio médico é classe A e isto aqui está-me parecendo mais um pronto-socorro.

Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?…

- É.

- Tipo assim… O céu, CÉU!… Aquele com querubins voando e coisas do género?

- Certamente. Aqui todos vivem em estado de gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências (nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que houvesse mesmo apitado na curva. Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bónus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de Presidente do Conselho de Administração da empresa. E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o síndico.

- É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

- Assim? (…)

- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro. Mas a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:

 - Bom dia. Muito prazer! Belas sandálias! Eu sou uma executiva bem-sucedida e…

- Executiva… Que palavra estranha! De que século você veio?

- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo "executiva"?

- Já ouvi falar mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A maxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com o seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer celestial, ali na organização.

- Sabe meu caro Pedro? Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando à toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistémica.

- É mesmo?

- Pode acreditar porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- Headcount, então, não deve constar em nenhum versículo, correto?

- Ham?

- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersãogera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isto rapidinho implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.

- Que interessante!

- Depois, mais a médio prazo, assim que os fundamentos estiverem sólidos e o pessoal começar a reclamar da pressão e a ficar stressado, a gente acalma a galera bolando um sistema de stock option, com uma campanha motivacional impactante, tipo: "O melhor céu da América Latina".

- Fantástico!

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização de um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- !!!…???

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Acionista… Ele existe, certo?

- Sobre todas as coisas.

- Óptimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high- -tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, parece-me extremamente atractivo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isto, nós dois teremos que nomear um board de altíssimo nível com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de 6 dígitos e todos os fringe benefits e mordomias da praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho a certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar num Turnaround radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?

- Não. Significa que você terá um futuro brilhante, mas se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever exactamente como funciona o Inferno… emoticon

Autor: Max Gehringer (Revista "Exame")

December 18, 2006

O Norte - por Miguel Esteves Cardoso

Filed under: Uncategorized

 "Primeiro, as verdades.
O Norte é mais Português que Portugal.
As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.
As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes
que já se viram.
Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana
secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está
tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade
verde-branca.
Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se
vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se
branco ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.

No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma
ninharia.
Estas são as verdades do Norte de Portugal.
Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe. O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira,
Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.
Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.

No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se
identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos
falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.
Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.
Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que
constitui Portugal.

Mas o Norte é onde Portugal começa.
Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.
Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o
Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por
muito pequenina. No Norte.
Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.
É esta a verdade.
Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial
mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores
são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro
nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do
Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela >entidade
incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.
No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito
estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem
não quer a coisa.

O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.
Tem esse defeito e essa verdade.

Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável,
porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos
portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino.

O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher
portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha
pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis,
daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a
escrever-se sozinhos.

Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de
frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não
dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e
honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem
belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade.
Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas,
da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de
um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto
das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de
carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida
a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das
burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens.
Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os
maridos, mas gosto delas.

São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.

As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.

Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são
as senhoras em toda a parte.
Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem
silenciosamente.

Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.
Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade.

Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no
Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do
Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um
nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu,
lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete
a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os
seus pedaços e pormenores.

Depois percebi.

Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não
escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar
de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é
o "O Norte".

Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender
Portugal no mundo.
Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua
pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma
terra maior, é comovente.

No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em
Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas
como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante
ainda é mais bonita.
O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho
ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego?
Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas,
para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir
aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em
fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós
todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira
que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a
hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem
patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim
que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos
chamamos todos?"

 

November 19, 2006

Eu Sou Pontual !!…?

A larga maioria dos gestores acredita ser pontual, uma excepção à regra entre os portugueses, que, dizem, é não cumprir horas, conclui o estudo Pontualidade em Portugal, apresentado sexta-feira, que traça um «panorama desolador» do fenómeno, escreve a Lusa.

O estudo da Ad Capita Executive Search para a AESE - Escola de Direcção e Negócios, indica que metade dos entrevistados - accionistas, administradores, gestores, directores, quadros e técnicos - acreditam que, em Portugal, não se cumprem horários, crença de que apenas 5,4 por cento discordam.

Por outro lado, 86,8 por cento dos questionados dizem ser pessoas pontuais, e 37,2 por cento, dos perto de 4.200 entrevistados garantem ser «sempre» pontuais.

No que diz respeito a cumprimento de prazos a diferença é menor - 51 por cento diz que os colegas não cumprem, enquanto 88 por cento dizem ser eles próprios cumpridores -mas a tendência é claramente a mesma.

«Somos talvez mais exigentes com os outros e muito tolerantes com nós próprios, e provavelmente isto explica parte do paradoxo. Como resultado disto, procura-se mais facilmente o mínimo denominador comum», afirmam os autores do estudo.

O não cumprimento de prazos e horários, além da gestão ineficiente de reuniões, gera desperdício ao nível das organizações, e rouba competitividade às empresas.

«Qualquer tentativa para calcular o tempo (o dinheiro, bem entendido) perdido na sequência desta intrincada teia de disfunções e de desperdícios facilmente nos apresenta números assustadores», adiantam.

Quase um terço dos inquiridos não usa agenda para controlar o seu tempo, e perto de 57 por cento afirma que as suas organizações não têm o hábito de se preocupar com a gestão eficiente das reuniões.

De acordo com dois terços, nas suas empresas as reuniões não começam à hora marcada, e a agenda, quando existe, não é cumprida em mais de 57 por cento dos casos.

Fonte : Portugal Digital

November 5, 2006

Café : A conquista do Mundo

Diz a lenda…

Era uma vez, há mais de mil anos, um monge que passeava pelas pastagens da Arábia quando, de repente, nota uma grande agitação onde umas cabras pastavam. Impressionado com a alegria dos animais, o monge resolveu verificar mais de perto o que acontecia. Junto às cabras estava um jovem pastor, chamado Kaldi, que cantarolava e o quadro era de total êxtase. O monge, muito curioso, notou que nas mãos do pastor havia uma pequena frutinha de cor vermelha. O pastor contou então que aquela frutinha era a responsável por toda aquela felicidade e motivação, e apenas com a ajuda dela o rebanho conseguia caminhar por muitos quilômetros com muita disposição. O monge não teve dúvidas, apanhou um punhado da fruta e levou para o seu monastério. Um pouco antes da oração noturna, ele resolveu experimentar. Sentiu então seu corpo tomado por uma agradável sensação de júbilo e motivação. O monge orou a noite inteira e agradeceu ao novo elixir a súbita disposição. Surgia, então, a nova bebida, considerada a fórmula ideal para deixar os monges acordados durante as rezas e os longos períodos de meditação.

O café, a bebida mais popular do mundo, é originário da Etiópia, antiga Absínia (centro da África). Mas a planta foi mesmo cultivada pela primeira vez pelos árabes - por isso a denominação ‘café arábica’, nome científico de uma das mais importantes espécies de café. Os Árabes tiveram o completo controle não só sobre o cultivo, mas também na preparação da bebida. O nome café é originário da palavra árabe qahwa, que significa vinho. Justamente por isso, o café era conhecido como "vinho da Arábia" quando chegou à Europa no século XIV. Como a proibição de bebidas alcoólicas era norma da religião maometana, o café tomou conta do mundo árabe, passando a ser consumido em larga escala. Mas, apesar disso, a bebida sofreu no início do século XVI sua primeira perseguição, chegando a ser proibida durante algum tempo. Khair Beg, governador de Meca, tenta, em 1511, proibir o consumo do café. O sultão, sabendo do ocorrido, decreta uma lei que torna o café uma bebida sagrada e condena o governador à morte. O café fez parte do dia-a-dia dos árabes com tanta força, que, em 1475, foi promulgada uma lei permitindo à mulher pedir divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida. Foi em 1544 que as primeiras casas de café foram abertas em Constantinopla - atual Istambul.

Planta proibida

Os Árabes, durante muito tempo, bem que tentaram esconder as plantações para que nenhum estrangeiro tivesse acesso ao tão raro fruto. Somente era permitido que saíssem do país grãos previamente fervidos, que não germinariam em outras terras. Mas os holandeses burlaram essa vigilância, conseguiram as primeiras mudas e as cultivaram em 1658. Daí, de um arbusto, trazido de Java para o Jardim Botânico de Amsterdã, foram tiradas mudas e posteriormente ofertadas aos principais jardins botânicos europeus. Uma das doações foi feita, em 1714, ao rei francês Louis XIV. As mudas foram cuidadosamente colocadas nas estufas do Palácio de Versailles. Mal imaginava o rei que nas cafeterias que iriam surgir em Paris tempos depois é que seria planejada a Revolução Francesa.

No início o café foi conhecido na Europa por suas propriedades medicinais. A partir do século XVII, porém, o mundo europeu passara a adotar o café como bebida. Já na Itália, onde entrou em 1615 por meio do porto de Veneza, o produto teve que vencer forte resistência da Igreja. Cristãos fanáticos incitaram o Papa Clemente VIII a condenar o consumo da bebida, tida como invenção de Satanás. Ao provar o café, porém, o papa teria declarado: - "Esta bebida é tão deliciosa que seria um pecado deixá-la somente para os infiéis. Vençamos Satanás, dando-lhe nossa bênção e tornando-a verdadeiramente cristã".

O café rapidamente passou a fazer parte definitiva dos hábitos europeus. Diversas casas de café foram abertas e o consumo foi consagrado por nomes famosos como Rousseau, Voltaire, Richelieu, Johann Sebastian Bach, Diderot e muitos artistas. Até mesmo Napoleão Bonaparte, general e imperador da França de 1804 a 1815, dizem foi um grande admirador do café. A bebida também foi brindada com uma composição especial. Johann Sebastian Bach, compôs, em 1732, sua célebre "Cantata ao Café", para ser especialmente tocada nas cafeterias. Outra curiosidade é que o uso do café em Viena teve origem quando, após o cerco de 1683, os turcos abandonaram a cidade deixando entre os despojos algumas sacas do produto, até então desconhecido. Frans George Kolschitzky, que tendo vivido no Oriente conhecia os grãos, apoderou-se das sacas e procedeu à elaboração e venda do produto, ao qual juntou açúcar e creme chantilly, assim nascendo o tão apreciado café vienense.

O café no Brasil: história de paixão

A história da vinda do café para o Brasil é envolta em mistério e romance. Em 1727, o sargento-mor Francisco de Mello Palheta teria recebido a missão oficial de trazer da Guiana Francesa as tão preciosas mudas. Conta-se que os portugueses eram proibidos de receber a planta. Palheta, porém, disposto a cumprir sua missão se aproximou intimamente da esposa do governador de Caiena, capital do Suriname. Ela, tomada pela paixão, ofereceu clandestinamente uma pequena muda do café Arábica que veio escondida na bagagem do brasileiro.

Nos primeiros tempos o cafeeiro se desenvolvera apenas nas províncias do norte do país, em pequenas plantações. O café chegou ao Rio de Janeiro no início do século XIX, e foi plantado em chácaras na Tijuca, Gávea, Andaraí e Jacarepaguá. Da cidade maravilhosa o café expandiu-se pela Serra do Mar até atingir, em 1825, o Vale do Paraíba, alcançando logo depois São Paulo e Minas Gerais e norte do Paraná. Uma curiosidade é que o café tipo santos, muito conhecido no mundo, nada tem a ver, como muitos pensam, com a cidade de Santos, porto exportador de café. Na verdade, a marca Santos deriva de Alberto Santos Dumont, que além de ter sido um pioneiro da aviação, foi também considerado "o rei do café".

Depois de avançar pelo Vale do Paraíba e chegando a Campinas, o Brasil, em 1860, torna-se uma grande potência exportadora de café com 26 milhões de pés plantados. O café torna-se o principal sustentáculo de uma aristocracia rural tão opulenta quanto a dos senhores de engenho, composta de ricos fazendeiros que passam a ser chamados de barões do café. O café também traz progresso. O escoamento da safra era de fundamental importância, por isso, em 1867, inaugurou-se a Santos - Jundiaí, que unia Santos, principal porto de exportação de café, às zonas de produção. Outras ferrovias surgiram como a Paulista, a Mogiana, a Sorocabana e a Noroeste, cujos traçados orientaram a direção de novas lavouras; mais tarde os cafezais atingiram também o norte do Paraná. Mas foi São Paulo que tornou-se a Metrópole do café. O progresso atingiu também as cidades do interior, onde surgiram bancos e casas bancárias. A cultura cafeeira atraiu grande número de imigrantes, sobretudo italianos, que vieram em busca de novas perspectivas. Para incentivar a produção e suprir o problema da mão-de-obra, com o fim da escravidão, o governo incentivou a imigração, principalmente da Itália.

A quebra do setor cafeeiro no Brasil

Com a chegada da República, os coronéis do café, por meio da chamada política do café-com-leite, passaram a dividir e alternar-se com os mineiros na condução dos destinos do país. Porém, a crise de 29, com a quebra da bolsa veio a afetar profundamente a cafeicultura. O financiamento junto aos bancos estrangeiros é interrompido. O preço do café despenca levando muitos fazendeiros à miséria e ao desespero. Milhares de sacas de café estocadas foram queimadas. O excedente da produção também faz com que milhões de pés de café sejam erradicados, na tentativa de estancar a continuada queda de preços. Tem início a maior crise da história no setor cafeeiro.

Com a recuperação da economia Mundial, após o golpe de 1929, o Sudeste do país volta a crescer, agora apoiado na cafeicultura e na indústria, com expressão cada vez maior na economia local. Assim, o café brasileiro vai gradualmente retomando sua importante posição na pauta de exportações e o Brasil consegue manter-se como principal produtor de café do mundo e segundo maior mercado consumidor.

Fonte: Pascoal, Luís Norberto. Aroma de Café - Guia Prático para Apreciadores de Café. 1999.

 

October 13, 2006

Cultura Ideologias de Mercado

Aulas extremamente participadas com conclusões mentais inesperadas, que nos tentam ensinar a ser "OpenMind" em relação ao mundo em geral, e em particular ao marketing. Aulas a não faltar PF.emoticon  

Conceitos a desenvolver na disciplina :

Ser capaz de desenvolver um conjunto de actividades na gestão de marketing, que inclua a influência das cultura na especificidade dos diferentes mercados.

Adaptar conceitos, estratégias e metodologias de marketing a diferentes mercados, respeitando os principios do relativismo Cultural. 

Linguagem Apresentação Empresarial

A 1º aula foi fantástica e geradora de muita pró-actividade. Esta disciplina para mim é a que eu me sinto mais á vontade; devido a minha constante aplicação (Diariamente) deste tema. Já não chegava durante o dia fazer apresentações e palestras para grupos, e á noite ter que me submeter á "luz da ribalta" novamente….. Ajudem-me………..

Competencias a desenvolver :

Elaboração de diferentes tipos de relatórios realizados em contextos empresariais, contendo as regras de linguagem e comunicação escrita adequadas. Os relatórios são posteriormente apresentados oralmente a diferentes públicos, nomeadamente empresariais; a apresentação é efectuada com base em diferentes métodos e técnicas pedagógicas, tendo em conta a diferenciação dos públicos e os conteúdos a apresentar.

I.M.P.

Estas 2 primeiras aulas foram muito reveladoras da importancia da disciplina. Os trabalhos de grupo estão a todo o vapor, e o bog a funcionar. Não percam os proximos desenvolvimentos……

Principais Competências da disciplina :

Realizar um relatório escrito de pesquisa tendo como base um problema concreto de organização. Este relatório deve estar em conformidade com o funcionamento da empresa e deve integrar as diversas fases, técnicas e instrumentos adequados à sua implementação.

Fundamentos de Gestão

Aguardava esta 2ª aula com alguma expectativa, mas a  aula ainda não foi muito reveladora…..Continuo Expectanteemoticon

Principios da Disciplina:

Conhecer os fundamentos,objectivos,estrutura,organização e funcionamento das empresas. Desenvolver a capacidade de elaborar,implementar e consolidar projectos numa organização. Adquirir competências profissionais potenciadoras da empregabilidade nas áreas da Gestão e do Marketing

Fundamentos de Marketing

A primeira aula de Fundamentos de marketing foi muito dinamica, na forma de apresentação dos temas e avaliação pelo Prof. Francisco Silva, sem com isto gerar alguma discussão o que é sempre bom, pois declara a motivação e empenhamento com que a turma encara o curso. Tenho a certeza que esta aula vai ser sempre " Altamente Desafiante. Esperemos para ve se se confirma a teoria…….

O que se pretenda nesta Disciplina :

Compreender o Conceito de Marketing - Perceber o âmbito e as aplicações do conceito de marketing - Identificar as implicações da adopção do conceito de marketing nas organizações, nos consumidores e na sociedade. - Tomar contacto e utilizar alguns dos elementos fundamentais do processo de diagnóstico estratégico em marketing.

October 12, 2006

Olá Mundo

Filed under: Uncategorized

Após o desafio do Prof. Remondes para a criação do meu proprio Blog, aqui vai o resultado (quase) Final. Depois disto o mundo não voltara a ser o mesmo; e estou preparado para fazer História (online, claro). Até Breve Companheiros……….emoticon

Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Ian Main